Entrevista aos Candy for Aliens
Estamos de regresso às entrevistas e a primeira desta segunda temporada é aos Candy for Aliens, banda composta por Andrés Malta, Gonçalo Salta e Jay.
"Live from House of Aliens" é a estreia do grupo, um EP em formato filme-concerto, composto por três temas. Gravado a 31 de Julho do ano passado, foi produzido pela banda e realizado por T. Zimmermann e Bmferreira.
Para quem não vos conhece, quem é o Andrés, o Gonçalo, e o Jay, e de que forma se juntaram para criar este Candy for Aliens?
Os Candy for Aliens são três pessoas bastante diferentes que decidiram fazer barulho juntas e, estranhamente, funcionou.
O Andrés trata da guitarra e da voz, o Jay segura o baixo e muitas vezes o bom senso, e o Gonçalo está na bateria a garantir que aquilo não descarrila completamente — ou a descarrilar de propósito, quando é preciso.
Todos já vínhamos de percursos diferentes dentro da música, em bandas, estúdios, estrada, gravações… e houve ali um momento em que percebemos que o que nos interessava não era fazer música 'certinha', era criar tensão, contraste, dinâmica, risco. Candy for Aliens nasce muito disso: três pessoas a puxar em direcções diferentes, mas pelo mesmo motivo.
Falem-me um pouco do vosso background. Sempre estiveram ligados à música ou é o vosso primeiro projecto? Têm formação na área ou são autodidatas?
Nenhum de nós caiu aqui por acidente. Todos temos anos de estrada, de estúdio, de concertos, de tocar em contextos muito diferentes. Há formação formal em algumas áreas, muito autodidatismo noutras, e sobretudo muitas horas de prática, que normalmente ensinam mais depressa e de forma mais violenta.
Candy não é um 'primeiro projecto', é quase o contrário: é o sítio onde muita experiência acumulada foi parar e começou a fazer perguntas estranhas.
Como chegaram ao nome Candy for Aliens?
Vem de um incidente diplomático bastante mal resolvido em 1987. Pelo que conseguimos apurar, uma pequena delegação extraterrestre aterrou discretamente no Norte de Portugal e exigiu açúcar em troca de tecnologia avançada. As negociações falharam, houve algum pânico, desapareceram vários documentos e, como é habitual nestes casos, ninguém assumiu responsabilidades. Durante anos, o caso ficou enterrado. Nós limitámo-nos a recuperar o nome.
Não podemos confirmar muito mais porque ainda há versões contraditórias dos acontecimentos, e sinceramente também não queremos problemas intergalácticos. Mas, Candy for Aliens pareceu-nos a forma mais elegante de prestar homenagem a um episódio que, estranhamente, nunca chegou aos livros de História.
E como é que surgiu a colaboração com o Zimmermann e o Bruno Ferreira, e a estética para este filme-concerto?
Queríamos filmar um concerto, mas não queríamos 'mais um vídeo de banda a tocar'. O Zimmermann e o Bruno perceberam isso muito cedo. Houve logo uma vontade comum de tratar aquilo como uma peça visual com identidade própria, não como simples registo documental.
A estética nasce dessa conversa: contraste, sombra, tensão, movimento, proximidade quase desconfortável em alguns momentos, espaço noutros. Um filme que respira com a música em vez de estar só a ilustrá-la.
E, depois, há a vantagem de trabalhar com amigos que não têm medo de arriscar connosco, que, convenhamos, já é meio caminho andado.
A escolha do formato ao vivo para a vossa estreia poderia não ser a mais óbvia. Surgiu por considerarem que é a forma mais fiel de vos representar ou é um "risco deliberadamente procurado"?
As duas coisas. Em teoria, estrear com gravações de estúdio seria a opção mais 'normal', mais controlada, talvez mais segura. Portanto, naturalmente, fizemos o contrário.
Mas, não foi só pelo risco. Foi porque a banda vive muito do que acontece em tempo real. A dinâmica, o erro, a tensão, a energia de três pessoas numa sala, isso faz parte da identidade da banda. Se fosse demasiado polido logo à partida, provavelmente não seríamos nós.
Que afirmação estas "Candy", "Recipe for Fools" e "Down With the Bullies" pretendem fazer?
Não gostamos muito de música que vem com manual de instruções, por isso preferimos deixar espaço para quem ouve. Mas, cada uma dessas canções aponta para coisas que nos interessam: absurdo, manipulação, ego, confronto, poder, fragilidade… E, aquela sensação de que o mundo às vezes parece um bocadinho mal montado.
Não são slogans nem discursos. São canções que fazem perguntas, provocam algum desconforto e, esperamos nós, deixam qualquer coisa a ecoar depois. Ou, pelo menos, estragam o silêncio de forma útil.
"Settle the Score" será a vossa primeira música de estúdio. Podem revelar quando estará disponível?
Podemos revelar que está a caminho; o que é uma resposta muito elegante para dizer 'mais novidades em breve'. Estamos a trabalhar para que chegue no momento certo, ainda estamos à espera da resolução do acordo intergaláctico de 1987, mas, quando sair, será a primeira vez que as pessoas vão ouvir o Candy for Aliens em contexto de estúdio, que é outra faceta da banda.
Sem estragar a surpresa: não vai pedir desculpa por existir.
E para quem quiser ver os Candy for Aliens ao vivo, têm datas marcadas para os próximos tempos?
Sim — e ainda bem, porque isto nunca foi pensado para ficar fechado numa sala.
Os próximos meses já vêm bem compostos. Tivemos dois concertos em Maio. Dia 6 de Junho vamos a Famalicão, ao CAA, depois 28 de Junho tocamos em Braga (Okulto Bar, com Defera), 19 de Setembro em Aveiro (HardPub, com os nosso amigos Carrots After Lunch), 17 de Outubro em Braga (Panic at Mavy) e fechamos, para já, a 13 de Novembro, em Famalicão.
Portanto, sim — há estrada pela frente. No fundo, era esse o plano desde o início: tirar isto da sala e levá-lo para palco, onde as canções podem respirar, correr algum risco e fazer o barulho que foram feitas para fazer.
As datas estão todas nos nossos canais (Instagram, YouTube, TikTok). O resto… aparece-se e logo se vê se sobrevivemos todos.
Se pudessem trabalhar com qualquer artista, nacional ou internacional, quem escolheriam (e porquê)?
Se pudéssemos montar a dream team definitiva — vivos, mortos ou algures noutra galáxia — com quem gostaríamos de trabalhar?
Essa pergunta é profundamente injusta porque obriga-nos a escolher entre gente viva, gente morta e gente que provavelmente já era alien antes de nós.
Se, for para sonhar sem orçamento nem consequências, claro que nomes como Freddie Mercury, David Bowie e Kurt Cobain entram logo na conversa — não só pelo talento, mas porque nenhum deles alguma vez jogou pelo seguro, e isso interessa-nos mais do que perfeição.
O Freddie porque transformava um palco num acontecimento. O Bowie porque fazia da reinvenção uma arte. O Kurt porque provava que vulnerabilidade e violência podiam coexistir na mesma canção.
Dito isto, gostamos sempre de trabalhar com pessoas da casa: o André Leite, que já percebe a nossa língua sem precisar de legenda, e o nosso Tenente José Rufino, porque toda a missão precisa de comando firme… ou, pelo menos, de alguém que finja que sabe o que está a fazer.
No fundo, é isso: lendas, aliens e malta de confiança. Parece-nos uma boa banda.
Entrevista: Sofia Robert
Fotografias cedidas por: Candy for Aliens
Instagram: @soumusicapt
Facebook: soumúsica.pt


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