Gregory Porter - 9/6/2015
A noite estava quente e o cheiro a sardinhas e a Santo
António pairava no ar da nossa bela capital. Enquanto muitos se dirigiam para
as festas populares, o nosso rumo era outro...
O Coliseu dos Recreios esperava o norte-americano
Gregory Porter, conhecido por muitos como o rei do Jazz.
A plateia estava muito
despida quando as luzes do Coliseu se desligaram.
A banda entrou e, após uma
pequena introdução, entra o grande senhor da noite. Gregory Porter é um homem
alto e forte, veste um fato e usa um boné por cima do seu característico gorro
que lhe tapa as orelhas. Por baixo de tanta roupa vê-se uma pequena cara. Uma
cara sorridente, uma cara simpática que transparece a humildade e a bondade
desta grande voz.
No fim do primeiro tema e depois da primeira apresentação da
banda, dirige-se à plateia desejando boa noite e elogiando o nosso país,
nomeadamente a comida e o vinho.
Gregory Porter diz sentir-se em casa e
apresenta o próximo tema: “On My Way to Harlem”. Logo neste tema a banda
presenteia-nos com dois solos incríveis do saxofonista Yosuke Sato e do
pianista Chip Crawford.
A bonita e serena “No Love Dying”, primeiro tema do seu
álbum mais recente, é a música que segue antes de “Liquid Spirit”, tema que dá
o nome ao álbum e que põe toda a gente a bater palmas ao som de “…clap your
hands now”.
“Wolfcry” torna a trazer a
calma à sala, este foi um concerto cheio de dinâmicas, alternando os temas mais
lentos e os mais ritmados.
“Musical Genocide” faz-se acompanhar, no pano de
fundo, por uma imagem de floresta misteriosa. Segue-se então o meu tema
preferido, a lindíssima “Hey Laura” onde Yosuke Sato faz a sua primeira troca
de instrumento de sopro, neste caso para uma flauta transversal.
“Work Song”
começa por ser cantada afastada do microfone, lembrando-nos os cantos entoados pelos
escravos enquanto trabalhavam no campo.
A voz de Gregory Porter é quente, é soul, é poderosa, é suave, é tudo aquilo
que podemos esperar de um cantor e muito mais. Mas não só de Gregory se fez a
noite, uma vez que o que se passou em cima do palco poderia bem ter sido uma
competição musical. Gregory Porter brilhou, mas brilhou também cada um dos
quatro excepcionais músicos que o acompanham.
“Be Good (Lion’s Song)”, single do álbum de 2012 “Be Good”,
alternou a voz com um assobio preparando-nos para “Free”, onde Crawford brincou
com o piano de cauda tocando directamente nas cordas com uma mão enquanto
tocava nas teclas com a outra. Era tempo para a primeira despedida da banda e a
primeira ovação em pé. Rapidamente os músicos retornam ao palco para a
divertida “1960 What?”. A banda volta a sair e torna a entrar para a última
música da noite, “Mona Lisa”.
A plateia era pouca, mas as palmas que se ouviam
no fim de cada música e as várias ovações de pé que todos fizeram, davam a sensação
de estarmos presentes milhares de pessoas.
Já vi muitos (mesmo muitos)
concertos em toda a minha vida mas penso que nenhum assim!
A música é isto;
música é arrepios, sorrisos, lágrimas e emoção!
Texto: Sofia Robert
Fotografias: Luís Carvalho
Mais fotografias em: https://www.facebook.com/soumusica.pt






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