Rock in Rio Lisboa 29/5 - Parte II
O meu coração começava a bater mais rápido, estava quase
a chegar o primeiro grande momento da noite para mim.
Não vou poder ser imparcial no que toca a contar o
próximo concerto. Gary Clark Jr. conquistou-me desde a primeira vez que ouvi
uma música dele no Youtube, depois de ver a sua nomeação nos Grammys deste ano
para Best Rock Song.
São 22h quando Gary Clark Jr. sobe ao palco, a fraca
recepção do público confirmou o meu receio de este não ser um artista muito
conhecido (para não dizer nada) do nosso público.
Apesar dos comentários e da constante conversa das
pessoas que estavam à minha volta (eu era a única que cantava as letras) foi um
óptimo concerto!
Confesso que esperava um pouco mais de dinamismo e até de
confiança mas o facto de alguns artistas serem mais introspectivos a mim nunca
me fez confusão.
O nome da música com que começou o concerto, “Catfish
Blues” (cover de Robert Petway), marcou o tom do resto do mesmo. Este é sem
dúvida das maiores promessas do mundo Blues/Rock da actualidade. Seguido por
uma música já de sua autoria no mesmo estilo, “Next Door Neighbor Blues” do
álbum Blak and Blu.
Os seus solos foram de outro mundo e até levaram a
maioria dos incrédulos a bater palmas.
O som não estava muito equilibrado, enquanto a parte
instrumental estava relativamente boa o som do microfone estava muito baixo.
Músicas como “Don’t Owe You a Thang” ou o single “Numb”
fizeram aumentar um pouco o ritmo do espéctaculo.
O concerto terminou com “Bright Lights” provavelmente a
música mais conhecida deste cantor norte-americano, com o verso “You gonna know
my name at the end of the night” faz-nos desejar que isso pudesse mesmo
acontecer.
Não escondendo a minha parcialidade, foi um concerto em
modo quase intimista onde faltou um pouco de carisma mas onde ganhou em talento
musical e artístico. Apesar de ser o artista que mais vezes abriu para Rolling
Stones não deixa de ser um papel ingrato, para mim foi um concerto perfeito mas
que espero ter oportunidade de ver uma próxima vez em nome próprio e onde as
restantes pessoas estejam lá com o mesmo objectivo.
Um pouco depois da hora prevista, era meia-noite quando o
grande (e que grande!) cabeça de cartaz entram em palco. The Rolling Stones é
provavelmente (ou até sem dúvida) a maior e mais mediática banda do mundo!
Sendo este o décimo aniversário do Rock in Rio Lisboa, não pedia nada menos do
que este nome.
A abrir com “Jumping Jack Flash” dão logo o tom do resto
da noite, uma noite de entrega e de energia sem igual.
Num formato diferente do concerto que vi em Alvalade em
2007, um palco mais pequeno e apenas os quatro membros da banda, fizeram-se agora
acompanhar de outros músicos onde se destaca o saxofonista Bobby Keys e a
cantora Lisa Fischer.
Tinham já passado três músicas quando Mick Jagger diz “Já
fizemos isto uma vez, vamos tentar de novo. Apresento-vos um convidado muito
especial: Mr. Bruce Springsteen”. A euforia instalava-se, de imediato sentimos
que estamos presente um momento memorável e único. Mick Jagger e o Boss em
palco juntos para cantar Tumbling Dice!
Para mim que confesso ser mais fã de Bruce do que dos
Stones, foi o delírio.
Soube a pouco mas tivemos logo uma boa prenda de seguida,
num tom mais calmo “Wild Horses”, das músicas mais bonitas desta banda que
comemora 50 anos de carreira.
Depois de “Doom and Gloom” Mick Jagger refere-se em
português, como aliás o fez várias vezes ao longo da noite, para perguntar se
gostámos das bandas anteriores. É então altura de convidar Gary Clark Jr. para
se juntar à música “Respectable”.
Em “You Got the Silver” foi a vez de Keith Richards
cantar a solo e brincar dizendo “É um prazer estar aqui. É um prazer estar em
todo o lado.” Todos sabemos que este lado engraçado é o que nos faz gostar um
bocadinho mais dele do que dos outros membros da banda.
“Midnight Rambler” contou com a participação de Mick
Taylor (guitarrista da banda entre 1969 e 1974).
Um dos momentos mais altos da noite seria “Start Me Up”
com o público a cantar em uníssono.
“Brown Sugar” seria a última antes do encore. Voltam
depois para cantar “You Can't Always Get What You Want” com os membros do Coro
Ricercare de Lisboa. E terminam em apoteose com o hino “(I Can't Get No)
Satisfaction” seguido de fogo de artifício.
The Rolling Stones provam o porquê de serem o nome que
são e de serem os únicos a esgotar um dia nesta edição do festival.
Mick Jagger é o verdadeiro entertainer, sabendo usar o
espaço do palco como ninguém (de uma ponta à outra e até ao centro do
público pela passadeira em forma de língua que estava montada). Este bisavô de
70 anos está cá para ficar!
Setlist:
1.
Jumping Jack Flash
2. It's Only Rock and Roll (But I Like It)
3. Live With Me
4. Tumbling Dice (com Bruce Springsteen)
5. Wild Horses
6. Doom and Gloom
7. Respectable (com Gary Clark Jr)
8. Out of Control
9. Honky Tonk Women
10. You Got the Silver
11. Can't Be Seen
12. Midnight Rambler (com Mick Taylor)
13. Miss You
14. Gimme Shelter
15. Start Me Up
16. Sympathy For The Devil
17. Brown Sugar
(encore)
18. You Can't Always Get What You Want
19. (I Can't Get No) Satisfaction
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2. It's Only Rock and Roll (But I Like It)
3. Live With Me
4. Tumbling Dice (com Bruce Springsteen)
5. Wild Horses
6. Doom and Gloom
7. Respectable (com Gary Clark Jr)
8. Out of Control
9. Honky Tonk Women
10. You Got the Silver
11. Can't Be Seen
12. Midnight Rambler (com Mick Taylor)
13. Miss You
14. Gimme Shelter
15. Start Me Up
16. Sympathy For The Devil
17. Brown Sugar
(encore)
18. You Can't Always Get What You Want
19. (I Can't Get No) Satisfaction
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