Jacob Banks vem da Nigéria, a sua voz, de outro mundo

Sou jornalista. Escrevo de segunda a sexta-feira, durante todo o dia. Esteja inspirada, ou não, esteja à vontade com o tema, ou não. O meu trabalho é escrever e as palavras, a bem ou a mal, têm de sair. São, por isso, raras as vezes que escapam. Hoje foi uma delas.

Quando o talento ultrapassa qualquer escala que possa ser usada para o medir é difícil transmiti-lo. Porque há coisas que só se entendem sentindo. Mas vou tentar pô-las por palavras.

Jacob Banks tem 27 anos, mas a sua voz parece ter muitos mais. Eram 21h45 quando a sala do Capitólio, em Lisboa, estava finalmente composta e as luzes se apagaram. A banda que acompanha o artista entrou em palco para uma breve introdução.

Pouco depois, a estrela da noite surgiu por entre o fumo que, aliás, foi uma constante ao longo do espetáculo, ajudando a criar uma aura mística que tão bem acompanhou as músicas apresentadas. “Love Ain’t Enough” foi o tema de arranque, numa versão ainda mais reggae que a gravada em estúdio.

O tema faz parte do novo álbum, “Village”, que o artista se encontra a promover. O público ficou rendido desde o primeiro momento até ao final de toda a atuação. Temas como “Mexico”, “Slow Up”, “Grown Up”, ou ainda os covers de “Ain't No Sunshine” (Bill Withers) e “Fix You” (Coldplay) atraíram enormes salvas de palmas.


Mas os destaques vão para o momento de coro gospel colectivo, com o público a cantar ‘It’s gotta be love baby’ e a bater palmas ao ritmo da bateria, que “Silverlining” proporcionou; a viagem até às origens nigerianas do cantor, que vive em Inglaterra, com “Keeps Me Going”; a belíssima “Unknown (To You)”; ou a explosiva “Chainsmoking”. As duas últimas deixadas para o encore, após apresentar a banda.

Jacob Banks tem a voz grave e rouca, a sua textura parece contar histórias de quem já viveu muito mais do que 27 anos. Brilha nas notas mais graves, da mesma forma que nas mais agudas. A existir um tal medidor de talentos, um dos parâmetros de avaliação seria certamente a aprovação e admiração dos seus pares. Não é de estranhar, por isso, que nesta noite estavam presentes nomes incontornáveis da música contemporânea portuguesa na audiência como NBC, Carolina Deslandes, Agir e Gson.

Assistir a um concerto de Jacob Banks é ouvir com os ouvidos, com a pele que arrepia, e com a alma que sente. No final, o artista despediu-se agradecendo por ‘gastarmos’ o nosso tempo para o ver ao vivo. Muitíssimo obrigada nós!




Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
Mais fotografias em: https://www.facebook.com/pg/soumusica.pt/photos/?tab=album&album_id=1098161357042134

Instagram: @soumusicapt

Comentários