Selah Sue no Monte Mar

Já estávamos um pouco atrasados e eram quase 22h quando chegámos ao Monte Mar. E porque é que eu achei que a Selah Sue ia cantar num restaurante de peixe e marisco à beira-rio? Porque alguma forma de curto-circuito inexplicável se deu no meu cérebro e me levou a crer que a sala de espectáculos Lisboa ao Vivo se situava no mesmo local onde outrora tinha sido o TMN ao Vivo e o Armazém F, hoje restaurante Monte Mar. A bem dizer não estava assim tão longe, o Lisboa "ao Vivo" é no "Armazém" 3, mas em Marvila. Nada que o GPS não resolvesse.

Porém, como calculado, perdemos infelizmente a primeira parte do concerto, da responsabilidade da artista nacional Mimicat. Cinco minutos após entrarmos na sala, Selah Sue entrou em palco.


Como já perceberam foi a nossa primeira vez no Lisboa ao Vivo. A sala é ampla, apesar de entrar na categoria das pequenas/médias salas, e tem uma boa acústica. Não é permitido fumar no interior, o que por um lado é bom pois permite um ar respirável, mas por outro, leva a um corrupio constante de fumadores a caminho do exterior; num concerto intimista como este, a situação torna-se um pouco desagradável. Creio que este concerto tivesse funcionado melhor numa sala com lugares sentados como a Aula Magna, por exemplo, mas o Lisboa ao Vivo apresentou-se como um óptimo espaço.

Selah Sue tem uma das vozes femininas mais complexas e intrigantes que já tive o prazer de ouvir ao vivo. Apesar de muitos a associarem ao reggae (esteve no Sumol Summer Fest em 2012, quando o festival ainda era só de reggae), a artista é soul, é jazz e é world music. O reggae está presente, não só em algumas músicas, como também em muitos efeitos criados pelo técnico de som, e muitas vezes aplicados na voz da cantora, associados ao dub, mas a música de Selah Sue é muito mais do que isso.

A juntar a uma voz brilhante (rouca, colorida e cheia de alma), às apetências na guitarra e na loop station, a artista de 29 anos é agora também mãe, tema que foi recorrente ao longo do concerto, entre músicas, e razão do interregno de pouco mais de um ano.


Em cima de palco, e a acompanhar a cantora e compositora, estavam um violoncelista e um teclista. Neste concerto intimista ouviram-se alguns dos temas mais icónicos da sua carreira, como "Fyah Fyah", "I Won't Go For More", "This World" ou "Raggamuffin" e o seu "Ragga medley" já no encore; bem como temas mais recentes como "In A Heartbeat" e "Full of Life" dedicados ao seu filho, e um dos momentos altos da noite: "I Need", com a artista a recorrer à loop station para criar diferentes harmonias com a sua voz.


O público pareceu-nos rendido e a artista belga comparou-o ao público do seu país dando a vitória aos portugueses, para depois rectificar e aumentar para uma comparação mundial: "Vocês são um público incrível".
Uma noite de aquecer a alma.

Setlist:
Game Is On
So This Is Love
In A Heartbeat
Hope a Little Harder
Fyah Fyah
Peace Of Mind
I Won't Go For More
Alone
Full of Life
Que será, será (Whatever Will Be, Will Be) - Doris Day cover
I Need
My Love
This World
Encore:
Mommy
Raggamuffin
Ragga medley
[Informação retirada do site setlist.fm]



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
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