terça-feira, 5 de julho de 2016

MUSA - 2/7/2016

O segundo dia do festival MUSA começou com uma surpresa. Ainda em casa, e depois de ver uma alteração nos horários no facebook do festival, reparei que a organização publicou um concerto-surpresa, Mishka iria abrir o palco principal.

Após uma ida rápida à bomba de gasolina e debate sobre o caminho mais curto para o recinto, chegámos a tempo para ouvir o cantor. Apenas acompanhado da sua guitarra, Mishka deliciou-nos com a sua voz suave e a sua música (mais surf music que reggae), um estilo que combina na perfeição com um final de tarde em frente à praia. Conseguimos ainda fazer uma entrevista surpresa. Quando questionado sobre “como foi parar ali” Mishka respondeu que uma vez que um dos artistas iria chegar mais tarde e tiveram de avançar todos os concertos, sobrou uma hora para mais uma actuação. Partilhando o mesmo booking agent do festival e estando em Portugal para outros concertos, foi fácil de conjugar e proporcionar esta surpresa. Mishka disse ainda ter assistido a algumas das actuações da noite anterior e gostar muito deste festival de boas vibrações. O cantor declarou-se apaixonado pelo nosso país e quanto à mensagem da sua música, respondeu-nos: One Love.


Depois de um início tão chill, as boas vibrações e o roots reggae continuaram com os Da Galangs. Banda proveniente da zona e com elementos pertencentes a outros projectos, tiveram amor e boa música para dar, bem como a presença de alguns dos seus filhos em palco. Depois do concerto contaram-nos que a música, mais em particular o reggae, os uniu há três anos (não contando com os outros projectos em que participam) como forma de convívio. Exploraram-se áreas que cada um não dominava tanto, como o vocalista Freddy Locks que aqui toca bateria ou Manel, o técnico de som que aqui é teclista, e o género do roots reggae que não é tão explorado em Portugal. A banda não tem nenhuma pretensão comercial e portanto foi uma grande alegria e ansiedade até ao dia para tocar neste festival, o único festival de reggae em Portugal e que conta com nomes tão sonantes do género.


Seguiu-se Bdjoy com incidências no reggae e nas raízes africanas, quer pela roupa da Royal Skuare quer pela dança das duas bailarinas. Mas não foi só de reggae que se fez este concerto tendo tido um convidado muito especial vindo do mundo do hip hop, SP Deville. Em conversa pós-concerto Bdjoy e a Zimbora Band contaram-nos ter gostado muito deste concerto e reconheceram a importância do festival MUSA que segundo o próprio “ainda não está sell out” (risos).


Para terminar em grande o alinhamento nacional do palco principal, foram os Chapa Dux que subiram ao palco ao cair da noite. Uma dinâmica com o público incrível e uma qualidade musical de se notar fazem dos Chapa Dux uma banda a ter debaixo de olho, creio eu, por muito tempo. Trouxeram também um convidado bem acarinhado pelo público, Papillon, e deixaram a sua marca no MUSA 2016. Depois do concerto falámos com Di, o vocalista, que voltou a afirmar o que tinha dito em palco “Estamos vivos, estamos juntos. O reggae está vivo.” Partilhou ainda o seu parecer em relação à importância do festival, que mantém a sua chama desde o início e que é o que melhor comunica com o seu público. Sobre os planos para o futuro, apesar de terem lançado agora o álbum “One Love” (o qual ofereceram algumas cópias que lançaram para o público durante o concerto), estão já a trabalhar num novo álbum e estão cada vez mais fortes.


Assassin aka Agent Sasco foi o primeiro nome jamaicano da noite. Com “Theory of Reggaetivity” lançado há pouco tempo, trouxe-nos a sua voz rouca e poderosa (para mim muito parecida à de Buju Banton) bem como grande energia. Pudemos ouvir, claro, o tema homónimo, bem como outros deste trabalho tais como “Africa”. No final do concerto tivemos o privilégio de fazer uma entrevista ao artista que disse estar pela primeira vez no nosso país, apesar de somente há seis horas, e se sentiu em casa, ajudado pelo sol e calor. Sobre a noite, disse parecer quase um furacão, o que para alguém que está habituado a climas tropicais diz muito sobre o nosso vento! Disse ainda que gostou muito do concerto e se sente sempre muito contente por ver pessoas a apreciar o reggae, que para quem é de Kingston é algo tão natural e com o qual se cresce. Assassin terminou declarando que ultimamente se sente mais realizado com os temas em que as pessoas lhe dizem que lhes dão força ou esperança, não descurando obviamente os temas de diversão e entretenimento.


Devido à troca de horários, os Dub Inc actuaram em penúltimo lugar. Este duo francês é já bem querido do nosso público e foi talvez o que mais entusiasmo recebeu neste segundo e último dia de festival. Com um álbum ao vivo relativamente recente e um novo que irá ver o seu lançamento em Setembro deste ano, animaram o público com temas bem conhecidos (e cantados, apesar da maioria ser em francês) mas deu também para ter uma pequena ideia do que aí vem no final do Verão. “Better Run”, “Dos à dos” ou “Rude Boy” foram recebidas com grande entusiasmo.


Para o final ficou Max Romeo e o seu registo mais calmo de roots reggae. Esta lenda viva do reggae, com 68 anos, continua com uma voz e uma energia (às 3h da manhã!) de fazer inveja. São mais de cinquenta anos de carreira e uma lista infindável de sucessos. Não faltaram “One Step Forward”, “War in a Babylon” e “Chase the Devil”.


Mais um óptimo ano de MUSA onde mais uma vez agradecemos à organização a forma como nos receberam. Até para o ano!

Vídeo do segundo dia do festival: https://www.youtube.com/watch?v=WV_rceLRj6k



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
Para mais fotografias: https://www.facebook.com/soumusica.pt

Instagram e Twitter: @soumusicapt

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