segunda-feira, 4 de julho de 2016

MUSA - 1/7/2016

Acordei e ouvi o vento forte lá fora. Sim, chegou sem dúvida o primeiro dia do MUSA Cascais. Ano após ano há algo que não muda, o vento. Cheguei à conclusão que o S. Pedro não gosta de reggae. Não faz mal, nós gostamos.

O primeiro dia oficial do festival (o primeiro dia mesmo tinha sido no dia anterior com a festa no campismo) começou ao som dos Terra Livre no palco principal. Com nove elementos em palco, esta banda de reggae/música do mundo encantou, ligou-nos às nossas raízes e transmitiu a sua mensagem na nossa poética língua. Em conversa após o concerto, os Terra Livre disseram-nos ir beber influências das coisas simples do dia-a-dia não pensando tanto num género musical específico mas sim na mensagem a transmitir. Quanto a essa mensagem é uma vontade de se ligarem à Terra Mãe e de não a explorar da forma como tem acontecido. Disseram ainda estar em total sintonia com o festival MUSA, festival que vai de encontro com aquilo em que acreditam: vibrações positivas e uma preocupação ambiental.


Marcus Da Lion foi o nome que se seguiu. Com uma voz rouca e uma intensidade e entrega de se notar, agarrou o público que o acompanhou num óptimo concerto de reggae provando que o bom reggae também pode ser português.


Ainda no panorama do reggae nacional, os já tão aclamados Supa Squad entraram em palco trazendo o de que melhor se faz no dancehall do nosso país. Acompanhados de bailarinas e com convidados de luxo, Xibata e Virgul, puseram todo o público a dançar e a vibrar com as suas vozes poderosas.



Jesse Royal, primeiro nome jamaicano da noite, seguiu-se apresentando-se a uma plateia já bastante composta. O cantor de 27 anos apresentou o seu mais recente álbum e entregou-se a temas como “Modern Day Judas”, “Finally” ou “Gimme Likkle”. Um óptimo começo de noite com uma óptima voz.


Tanya Stephens foi o nome seguinte, e a única mulher no cartaz deste ano. Já há muitos anos que esperava por um concerto desta “Senhora” do reggae. A expectativa era, portanto, muito elevada e conseguiu ser superada. Tanya Stephens tem uma voz muito boa e um charme bem particular. Emocionou-se quando um membro da produção apareceu em palco à 00h para lhe cantarmos os parabéns em conjunto, e presenteou-nos com clássicos como “It’s a Pitty” ou “These Streets”. Tivemos o privilégio de falar com a cantora no final do concerto e nos deliciarmos com a sua simpatia.

Quando questionada sobre a mensagem da sua música: “Amor. Amor, amor e amor. Amem com força, não interessa se saem magoados, irão amar de novo. É a única forma de consertarmos o mundo. Não vamos lá mandando as pessoas serem boas, mas se cada um de nós amar o próximo e sentir que somos todos iguais poderemos resolver tudo. Não iremos fazer mal a quem gostamos, não queremos que quem gostamos passe fome, não os iremos matar. Pode parecer irrealista mas é a verdade, temos de começar a nos preocupar mais e a cuidar dos outros.” A artista disse ainda, em seu nome e em nome da banda, que adoraram o festival e o seu público e que se divertiram bastante. A surpresa de cantarmos os parabéns foi algo que nunca irá esquecer e que se sentiu muito bem quando o público cantou alguns dos temas: “É bom termos reconhecimento. Não interessa se somos cantores, secretárias, professores, sentimos a energia de todos e eu senti a do público e adorei.”


Costumam dizer que o melhor fica para o fim e o cabeça de cartaz do primeiro dia é provavelmente o nome mais acarinhado do reggae em Portugal, Alborosie. Com algum atraso e manifestações de descontentamento por parte do público, “Puppa Albo” entrou bem depois da hora mas deu um concerto, como sempre, incrível e foi rapidamente perdoado. Alborosie há muito que dispensa apresentações e com tantos hit’s imagino que não deva ser fácil criar a setlist dos seus concertos. Não há uma música que o público não conheça e não cante com o artista. Com uma presença em palco que poucos artistas conseguem, tivemos direito aos temas mais conhecidos da sua carreira bem como os do novo trabalho “Freedom & Fyah”. Não faltaram, claro está, “Kingston Town”, “Herbalist”, “No Cocaine” ou a mais recente “Poser”. Um final de noite memorável.


Vídeo do primeiro dia do festival: https://www.youtube.com/watch?v=wJivcyqDvFQ 



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
Para mais fotografias: https://www.facebook.com/soumusica.pt 

Instagram e Twitter: @soumusicapt

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