sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Grutera - Entrevista

Grutera é Guilherme Efe, guitarrista da Nazaré.
Com dois álbuns bem-sucedidos é a vez do lançamento de “Sur Lie”, terceiro álbum do artista gravado no Túnel das Barricas da Herdade do Esporão. Um álbum lindíssimo que terá a sua apresentação este sábado, dia 14 de Novembro, na Casa Independente às 22h00.
Tivemos o privilégio de saber um pouco mais sobre este trabalho:

Quem é Grutera?
É um tipo a tentar dizer coisas com uma guitarra. Uma vez consegue dizer o que quer, outras é ela que diz o caminho. Como em todas as relações.
Como surgiu a ideia da gravação na Herdade do Esporão?
Eu procuro sempre sítios com acústicas muito características para gravar os discos, dando mais identidade à guitarra. O Vasco Durão (responsável pelo Guitarras ao Alto), soube que andava à procura de um espaço e convidou-me para ir ao Alentejo experimentar umas adegas. Ficámos logo encantados com o Túnel das Barricas da Herdade. Tanto acusticamente como esteticamente, pareceu-nos perfeito. 

A inspiração que lá encontraste era aquela que esperavas?
Não ia com ideias de encontrar inspiração lá. Já a levava toda comigo. Tínhamos pouco tempo para gravar por isso tive de ir com tudo muito bem estruturado. Mas a verdade é que depois de lá chegarmos mudei muitas coisas devido ao espaço. Aquilo é especial. Tudo é mais intenso ali. Os segundos. Os silêncios. Os ataques. Tudo.
O nome do álbum foi muito bem escolhido. Podes explicar aos nossos leitores, para quem não sabe, o significado de “Sur Lie”?
Basicamente procurei um termo vinícola que explicasse o conceito do disco e ao mesmo tempo o sítio onde foi gravado. Assim como fiz com o “O Passado Volta Sempre”, quando o gravei no mosteiro. Sur lie é um processo de envelhecimento do vinho. A sua fermentação e maturação é feita sobre as suas próprias borras e depósitos, o que faz com que fique mais aromatizado e intenso. Fazendo a analogia, é exatamente disso que este disco resulta. O meu amadurecimento como pessoa. Esse amadurecimento acontece sobre tudo o que já fiz para trás, bem e mal. Sou relativamente novo e as coisas mudam muito rapidamente na minha cabeças e nas minhas mãos. Os 3 discos são muitos diferentes uns dos outros porque a mudança ainda é muito imediata. Cada disco que faço sinto-me orgulhoso na altura, mas passado uns tempos já me envergonho do que fiz. É estranho. É frustrante, mas desafiador, porque acho que é sinal de evolução e de não estagnação. Aquela coisa humana de estar constantemente insatisfeito com o que fizemos por querermos fazer cada vez melhor, é muito isso. Mas temos de fazer... fazer é importante para fazer melhor.
A capa (fotografia de Leonor Fonseca) é também muito bonita. Qual a história por trás da mesma?
Toda a fotografia do disco é analógica. Desde a capa ao interior do álbum. Gosto muito de fotografia analógica e fiz questão que assim fosse, por isso é que escolhi a Leonor Fonseca, que é pro nisso. A capa é uma sobreposição de duas fotografias que ela tirou: o corredor do Túnel das Barricas e alguém de olhos vendados. Depois o artwork foi tratado pela Ana Gil que também tem um talento enorme. Ficou bastante abstracto, mas com atenção percebe-se. Eu gosto disso. Não gosto de coisas imediatas. Para isso já basta ligar a rádio ou a TV. 

Será o vinho o melhor acompanhante para ouvirmos este álbum?
Se calhar devia dizer que sim, mas ainda não sou grande apreciador de vinho, apesar de ter uma relação muito próxima com ele. Ainda prefiro umas cervejas, se forem artesanais tanto melhor. O melhor acompanhamento para ouvir este disco são mesmo umas boas colunas ou uns bons headphones onde se perceba o que o Tiago e o Diogo Simão fizeram com a acústica e ambiência do espaço.
A guitarra diz aquilo que não ouvimos por palavras na tua música?
Eu espero que sim. Para mim é para isso que serve a guitarra. É um instrumento que utilizo para chegar onde não chego de outra forma.
A apresentação do disco terá lugar este sábado na Casa Independente. O que podemos esperar desta atuação?
Mudei radicalmente o equipamento que utilizo em palco. Ando a explorar muita coisa e ainda não sei muito bem o que vai acontecer. Sei que vai haver o disco praticamente na íntegra e pelo meio algum espaço para outras coisas saírem ali, para quem estiver. Vai ser uma noite bonita.

Instagram e Twitter: @soumusicapt

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