terça-feira, 27 de outubro de 2015

Mundo Segundo e Sam the Kid - 24/10/2015

Já há muito que tínhamos curiosidade em assistir a um concerto do projecto que junta dois grandes monstros do hip hop nacional, Mundo Segundo e Sam the Kid. No passado sábado fomos até à Festa do Caloiro do ISCTE para realizarmos esse objectivo.

O palco Cidade encontrava-se ao ar livre e ia aquecendo com o som quente do reggae dos Nubai Soundsystem.
Seguia-se Dillaz, uma das maiores promessas da nova escola do hip hop nacional que se apresentou a um público conhecedor das letras, com o ponto alto para "Não sejas agressiva".


Com pontualidade britânica, Mundo Segundo e Sam the Kid entram em palco.
Este projecto, relativamente recente, está bem oleado. Com cerca de vinte anos de carreira que cada um já conta a solo, a dupla mostra o porquê do seu enorme sucesso. Sam the Kid é provavelmente o rapper com melhor dicção no nosso país.

Mas nem só de Mundo e Sam se fez este concerto, pudemos contar com NBC (e a sua voz de outro mundo) e Maze como convidados, bem como a Maria (uma rapariga do público) que fez de Sofia na música homónima.
O alinhamento consistiu em alguns dos maiores sucessos da carreira de cada um, tais como "A partir de agora", "Sofia", "Borboletas", "Bate Palmas", "Era um vez" ou "Poetas de Karaoke" e, pela reacção do público, foi um concerto memorável para qualquer fã de hip hop.


No final tivemos o prazer de conversar com ambos:

Gostaram deste concerto?

STK - Sim, claro que sim. Por acaso já não dávamos um concerto há um mês. É sempre um prazer. Agora estamos com alguma ansiedade para pôr o disco cá fora e termos um espectáculo novo.

Para quando esse álbum?

STK - Ainda não conseguimos dizer mas está quase.

Melhor público, Lisboa ou Porto?

MSG - Eu nem vou responder a isso. (risos)

STK - É o Porto sem dúvida. Sempre foi.

MSG - No Porto existe um público específico de hip hop que é mesmo ferrenho. Seja com qualquer artista. É muito bom, por exemplo, um artista de Lisboa ir ao Porto e ter o público a cantar as letras todas do início ao fim. Existe mesmo esse culto.

STK - Em Lisboa mesmo nos anos 90, o público eram mais MC's e acabavam por ficar mais a observar. Eu também sou assim. Foi só no Porto que vi pela primeira vez alguém a cantar as minhas letras. Hoje em dia já existe o "fã", que não é rapper, por isso os concertos em Lisboa já começam a ter também um grande público mas o Porto não se deixa dormir.

MSG - Se pegares num artista de Lisboa da nova escola, que ainda não tem um grande hype, ele vai ao Porto e o pessoal sabe as letras das músicas dele.

STK - É muito importante ter esse feedback tão positivo em início de carreira. Nós por exemplo tivemos um dos nossos melhores concertos recentemente no NOS D'Bandada no Porto, um evento ao ar livre e de entrada gratuita que teve uma aderência louca. A energia que se sentiu foi incrível.

MSG - O culto no Porto começou, lá está, nos anos 90. Havia festas de hip hop todos os meses, aliás foi numa dessas festas que o Sam foi a primeira vez ao Porto. E havia esse culto de educar o pessoal, querer saber as rimas. Tu não querias ser o ignorante da festa. (risos) E o pessoal compra CD's, têm também essa vertente de coleccionador.

E a nível de hip hop?

MSG - Acho que está diluído pelo país. Nunca houve assim nenhuma cidade melhor ou pior. Há momentos onde, se calhar, há mais foco em alguma zona, mas é equilibrado.

STK - Mesmo em todas as vertentes, sempre houve qualidade em Lisboa e no Porto, nunca tive preferência. É bom haver variedade.

A nova escola está bem representada?

MSG - Está! Eu acho que nos últimos três anos têm aparecido bons MC's mas nos últimos cinco/seis anos têm aparecido muito bons produtores. Acho que agora há mais quantidade com qualidade.

STK - Tenho ficado surpreendido com algumas coisas que me têm mostrado ultimamente. Pessoas que começaram mesmo agora e já cantam com flows e esquemas rimáticos mais complexos. O facto de também ser em português facilita, eu por exemplo só comecei a usar rimas duplas mais tarde. Eu já ouvia mas não me apercebia por ser em inglês.

Estaremos na época dourada do hip hop português?

MSG - O hip hop tem mais ou menos vinte anos em Portugal, ainda está numa fase inicial, é um adolescente. Daqui a vinte anos se calhar vamos estar muito melhores e vamos ter a mesma conversa. Nós crescemos a ouvir hip hop americano, hoje em dia há pessoal que só houve hip hop português e isso é muito bom.

Concertos ou estúdio?

MSG - Concertos!

STK - Eu gosto dos concertos mas adoro a adrenalina da criação de algo novo em estúdio. Acho que tenho de escolher estúdio.


Setlist

Intro + A Partir de Agora + Sou do Tempo
Juventude + Raio de Luz
Tu Não Sabes
Sofia
Solteiro + Borboletas + Bom Dia + Brilhantes Diamantes
Bate Palmas + Não Percebes
Era Uma Vez
Crise de Identidade + Poetas de Karaoke



Texto e entrevista: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho

Instagram e Twitter: @soumusicapt

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