domingo, 12 de julho de 2015

NOS Alive

Foram três dias de NOS Alive… Intensos, animados, cheios de boa música e que nos fazem desejar termos o dom de nos multiplicarmos para aproveitar o que de melhor cada palco tem para oferecer em simultâneo.
Devo confessar que a minha estadia fez-se mais pelo palco principal. James Bay deu o primeiro concerto que vi no festival. O inglês trouxe-nos o seu primeiro álbum que ficámos a ver ser bem conhecido do público português. Simpático e de voz suave, um pouco rouca, disse várias vezes estar espantado com a recepção do público nesta sua primeira passagem pelo nosso país. “When we were on fire” e “Hold back the river” foram cantadas a plenos pulmões e fizeram aquecer as gargantas para este primeiro dia de festival.
Ben Harper foi o artista que se seguiu. O cantor, que já tinha estado neste festival como cabeça de cartaz em 2008, já é bem querido do público português. Regressou com alguns temas mais recentes, mas também com vários clássicos, alguns deles em versões um pouco diferentes. Já tínhamos saudades de ouvir “Steal my kisses”, “Burn one down”, “With my own two hands” ou “I believe in a better way”.
Alt-J eram o nome que mais aguardava. Tenho seguido de perto o seu trabalho e ainda não tinha tido o privilégio de os ver ao vivo. A banda, também britânica, encheu o palco de música, muito boa música, luzes e sombras que ajudaram a criar ambiência e algum misticismo. Tocaram todos os êxitos, infelizmente para mim “Pusher” ficou de fora do alinhamento, mas ouviu-se “Left hand free”, “Taro”, “Tessellate” ou “Breezeblocks”, entre outras. A voz de Joe Newman consegue brilhar ainda mais ao vivo e os temas, mesmo os mais calmos, fizeram toda a gente vibrar vendo muitas mãos no ar a fazer um triângulo (símbolo da banda). Um concerto maravilhoso!
Muse, o grande cabeça de cartaz, fechava o palco principal nesta primeira noite. A banda veio apresentar o seu mais recente trabalho, “Drones”, mas não deixou de parte os temas mais antigos como “Supermassive black hole”, “Madness” ou “Hysteria”.  Muse elevam sempre os seus temas a uma outra dimensão nos espectáculos ao vivo. Apoiam-se num jogo de luzes e dinâmica musical provando o porquê de serem tão grandes!

O segundo dia começou com Blasted Mechanism a abrir o palco principal. A banda nacional contava, como sempre, com fatos diferentes e vistosos e um pano de fundo a condizer. Um concerto bem puxado para as 18h e digno de abrir os cabeça de cartaz da noite, Prodigy. “Puxa pra cima a tua energia” ou “Blasted generation” fizeram toda a gente saltar e dançar energicamente. E que bom foi ouvir didgeridoo num palco principal.
De seguida dei um salto até ao palco NOS Clubbing onde Dj Kamala se apresentava com um set especial e uma digníssima lista de convidados como Agir, Tekilla, NBC, Sam the Kid, Filipe Gonçalves, Héber, Sir Scratch e Bob da Rage Sense.
Fiquei-me por este espaço para o concerto de Capicua, a sereia louca, que se seguia. Apesar da lesão que a cantora disse ter num pé, deu um concerto bem animado mostrando que o rap não liga a géneros. “Vayorken” e “Casa no Campo” foram recebidos com grande entusiasmo mas o momento alto vai para o convidado Valete no tema “Medusa”. Acompanhada de Vítor Ferreira, o ilustrador que completou o espectáculo com os seus desenhos feitos em tempo real, foi um grande momento da música nacional deste festival.
Mumford & Sons seguiam-se no palco principal. Apesar do novo álbum, a banda não esqueceu a folk (e o banjo!). Houve espaço para os novos temas, como a poderosa “Wolf”, mas também para os grandes hits da banda como “I will wait”, logo no segundo lugar do alinhamento, “The Cave” ou “Little lion man”. Uma banda muito forte a nível musical e com uma óptima ligação com o público. Houve tempo para um fã no palco, outro nú na plateia (que passou despercebido à maioria) e para conversas sobre futebol. Um bom alinhamento que melhor, só mesmo num espaço fechado e mais controlado para poder apreciar o melhor que a voz de Marcus Mumford tem para dar.
The Prodigy fechavam o palco principal desta segunda noite de NOS Alive. A banda que nunca perde energia já habituou o público português a grandes concertos e este foi mais um! O Alive pegou fogo com temas como “Firestarter”, “Voodoo people” ou “Smack my bitch up”. Um concerto com energia a 100% que nos pôs a todos a saltar e transformou o Alive numa mega rave!

O terceiro e último dia começou para mim com o concerto de Dead Combo no Palco Heineken. A dupla fez-se acompanhar de um baterista e um percussionista e do seu altar de caveiras e rosas vermelhas. Um concerto apelativo aos olhos e aos ouvidos. Porque o que é nacional é bom, os autores de “A bunch of meninos” mostraram o que é boa música e que a voz nem sempre é necessária. Para terminar fizeram uma homenagem à Grécia com “Zorba, o Grego”.
Ainda deu para ouvir o final de Counting Crows e a tão conhecida “Accidentally in love”.
A plateia ia enchendo para o concerto aguardado de Sam Smith. O britânico, que tem vindo a ter um sucesso avassalador, apresentou-se com uma banda e três cantores de apoio muito bons. Com uma voz divinal trouxe-nos o seu primeiro álbum “In the lonely hour”, que admitiu ser um nome um pouco deprimente mas que ainda hoje é uma terapia como contou nas suas variadas conversas com o público. O concerto de deprimente não teve nada, com um Sam Smith sempre sorridente e com um ar bastante genuíno. “I’m not the only one” abriu logo as hostes e não foram esquecidos, como seria de esperar, os grandes hinos das rádios “Lay me down”, “Like I can”, “Stay with me” ou as participações de “La la la” e “Latch” que na versão original conta com os cabeça de cartaz da noite, Disclosure. No entanto houve também espaço para algumas versões como “I can’t help falling in love with you” de Elvis, “Tears dry on their own” de Amy Winehouse ou “Ain’t no mountain high enough”. O público esteve sempre com o cantor emocionando-o e fazendo-o prometer uma nova visita brevemente.
Chet Faker era o concerto que mais queria ver na última noite de NOS Alive. O cantor que deu dois concertos com casa cheia na semana passada no Coliseu dos Recreios, apresentou-se a uma plateia bastante bem composta mostrando que realmente é muito acarinhado em terras lusas. Ora sozinho, ora acompanhado de dois músicos, trouxe-nos a magia dos seus temas tão próprios e característicos, alguns um pouco diferentes das versões em estúdio. Um concerto um pouco mais curto do que o esperado mas que deixou todos satisfeitos com um alinhamento que contou com “I’m into you”, “1998”, “Gold”, a versão de “No diggity” ou a belíssima “Talk is cheap” ao piano.
A grande pausa que iria haver até ao último concerto do palco principal permitiu ir ver um pouco do concerto de Azealia Banks. O rap forte da cantora que se fez acompanhar de um dj levou uma grande parte do público ao Palco Heineken.
Para fechar o Palco NOS, os Disclosure apresentaram-se frente a frente e perante uma plateia bem composta e pronta para acabar em grande esta edição do festival. O House da dupla fez todos dançar e terminaram com “Latch” mas sem o convidado que todos esperavam.
Às 3h Chromeo fechava o Palco Heineken e terminava assim mais uma edição do NOS Alive.
Até para o ano!



Texto: Sofia Robert


Instagram e twitter: @soumusicapt

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