quarta-feira, 10 de junho de 2015

Gregory Porter - 9/6/2015

A noite estava quente e o cheiro a sardinhas e a Santo António pairava no ar da nossa bela capital. Enquanto muitos se dirigiam para as festas populares, o nosso rumo era outro...
O Coliseu dos Recreios esperava o norte-americano Gregory Porter, conhecido por muitos como o rei do Jazz.

A plateia estava muito despida quando as luzes do Coliseu se desligaram.
A banda entrou e, após uma pequena introdução, entra o grande senhor da noite. Gregory Porter é um homem alto e forte, veste um fato e usa um boné por cima do seu característico gorro que lhe tapa as orelhas. Por baixo de tanta roupa vê-se uma pequena cara. Uma cara sorridente, uma cara simpática que transparece a humildade e a bondade desta grande voz.


No fim do primeiro tema e depois da primeira apresentação da banda, dirige-se à plateia desejando boa noite e elogiando o nosso país, nomeadamente a comida e o vinho.
Gregory Porter diz sentir-se em casa e apresenta o próximo tema: “On My Way to Harlem”. Logo neste tema a banda presenteia-nos com dois solos incríveis do saxofonista Yosuke Sato e do pianista Chip Crawford.


A bonita e serena “No Love Dying”, primeiro tema do seu álbum mais recente, é a música que segue antes de “Liquid Spirit”, tema que dá o nome ao álbum e que põe toda a gente a bater palmas ao som de “…clap your hands now”.
“Wolfcry” torna a trazer a calma à sala, este foi um concerto cheio de dinâmicas, alternando os temas mais lentos e os mais ritmados.


“Musical Genocide” faz-se acompanhar, no pano de fundo, por uma imagem de floresta misteriosa. Segue-se então o meu tema preferido, a lindíssima “Hey Laura” onde Yosuke Sato faz a sua primeira troca de instrumento de sopro, neste caso para uma flauta transversal.
“Work Song” começa por ser cantada afastada do microfone, lembrando-nos os cantos entoados pelos escravos enquanto trabalhavam no campo.


A voz de Gregory Porter é quente, é soul, é poderosa, é suave, é tudo aquilo que podemos esperar de um cantor e muito mais. Mas não só de Gregory se fez a noite, uma vez que o que se passou em cima do palco poderia bem ter sido uma competição musical. Gregory Porter brilhou, mas brilhou também cada um dos quatro excepcionais músicos que o acompanham.


“Be Good (Lion’s Song)”, single do álbum de 2012 “Be Good”, alternou a voz com um assobio preparando-nos para “Free”, onde Crawford brincou com o piano de cauda tocando directamente nas cordas com uma mão enquanto tocava nas teclas com a outra. Era tempo para a primeira despedida da banda e a primeira ovação em pé. Rapidamente os músicos retornam ao palco para a divertida “1960 What?”. A banda volta a sair e torna a entrar para a última música da noite, “Mona Lisa”.
A plateia era pouca, mas as palmas que se ouviam no fim de cada música e as várias ovações de pé que todos fizeram, davam a sensação de estarmos presentes milhares de pessoas.
Já vi muitos (mesmo muitos) concertos em toda a minha vida mas penso que nenhum assim!

 A música é isto; música é arrepios, sorrisos, lágrimas e emoção!



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho

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