domingo, 7 de junho de 2015

D'Alva - Entrevista

Pop/electrónica em português é sinónimo de D’Alva. A dupla formada por Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro, celebra o primeiro aniversário do disco de estreia “#batequebate” com dois concertos em Junho, dia 13 no Teatro Rivoli e dia 19 no CCB. Fomos falar com o duo para saber o que se passou neste ano e quais os planos para o futuro:

A vossa música prima pela originalidade e acaba por ser uma lufada de ar fresco na pop/electrónica nacional. A quem atribuem a vossa inspiração?

Ao pensar nessa pergunta é preciso voltarmos ao estado mental em que estávamos quando começámos a escrever e gravar as nossas canções, e no fundo é algo que vem muito de dentro, muito enraizado na nossa memória, e descobrimos que partilhamos uma vontade muito grande em deixar à solta sem restrições os refrões orelhudos que temos e que nos invadem a cabeça. É um fenómeno comum em músicos, mas nem sempre é possível seguir esse instinto imediato e no nosso caso foi, pois não tínhamos que equacionar mais ninguém a não ser nós mesmos. E se cavarmos um pouco mais fundo, percebemos que esse instinto é apurado pelas nossas memórias mais recônditas enquanto crianças a ouvir rádio, e a rádio sempre foi rica em pop orelhuda, excitante, e de grandes refrões. Michael Jackson e a sua maneira de fazer música é sem dúvida a maior influência de ambos, pois é através dele que nos chega tudo o resto.

Estão a celebrar o primeiro aniversário de “#batequebate”, como foi este ano?

Foi um ano muito cheio de episódios inesperados, demais até para conseguir sintetizar, e um acumular de experiências extraordinárias num curto espaço de tempo. Por vezes parecia que estávamos a viver dentro de um filme no momento em que o underdog finalmente vê o seu trabalho recompensado. Tem sido assim sem excepção, e por enquanto as coisas parecem não abrandar. Está a ser uma viagem e tanto, e estamos muito gratos pela maneira como todos nos têm abraçado, a começar pelo público e a terminar em toda a gente que temos conhecido e com quem temos tido o privilégio de colaborar.

A imagem parece ser uma componente muito forte do vosso trabalho. Apoiam-se nos videoclips para ajudar a transmitir a vossa mensagem?

Costumamos dizer que não é o mais importante, mas é sem duvida importante. Tudo gira em torno da música que fazemos primeiro, e tentamos que exista coerência em todas as outras valências que complementam a nossa música. É infelizmente normal em Portugal que muitos novos artistas descurem uma parte tão importante da sua música, que é todo o universo visual que esta proporciona, desde a roupa que vestem, aos vídeos, etc, e sem esse cuidado, a música fica mais pobre. Se estivéssemos numa fase mais avançada da nossa carreira o cuidado com a imagem seria ainda maior, mas uma coisa também importante é a autenticidade com que trabalhamos a nossa imagem, e o público percebe quando essa autenticidade existe ou não!


Além dos dois concertos de celebração, vão estar em vários festivais de Verão. O que é que o público pode esperar das vossas actuações?

Quem já assistiu a um concerto de D’Alva sabe que é enérgico do princípio ao fim e que a entrega é total, e isso é uma característica que tão cedo não perdemos. Investimos muito tempo a preparar as actuações ao vivo para que sejam sempre no mínimo do possível únicas de alguma maneira, quer nos arranjos, quer no alinhamento, quer na produção, etc. Não queremos tomar nada por garantido muito menos o nosso público, e queremos que cresça, por isso vamos continuar a #dartudo.

Como é fechar este ciclo do “#batequebate” e para quando um novo álbum?

Ainda não sentimos que esse ciclo esteja fechado, porque ainda há pessoas a descobrir o disco agora, e neste momento estamos muito concentrados em tocar. Já pensamos em música nova, já vamos assentando algumas ideias, mas queremos fazer as coisas como sempre fizemos até aqui, de forma que nos pareça natural. Não iremos gravar um disco apenas porque temos de o fazer, vamos sim fazer o que sentirmos fazer na altura. Pode ser em forma de singles, pode ser em forma de EP, ainda não sabemos, mas não estamos muito preocupados com isso, mas sabemos que a expectativa é grande para um segundo longa duração, por isso mesmo não podemos apressar nada.

Planos para o futuro?

Desde o início que não fazemos planos a longo prazo. A música enquanto indústria vive um momento complicado em que precisa de se encontrar e redefinir. Hoje somos alguém, amanhã somos apenas ilustres desconhecidos ou uma memória qualquer distante ou um músico a viver de glórias passadas, e essa imagem é negra. Já conhecemos muita gente assim no passado ano, artistas que são sombras do que foram outrora. É com essa perspectiva em mente que preferimos viver no aqui e agora, e fazer planos apenas a médio prazo no máximo. Temos ambições obviamente e trabalhamos para que sejam uma realidade, mas há muita coisa que não depende de nós, por isso saboreamos o presente, tendo noção que se amanhã terminar foi bom! Para já o plano é tocar o quanto nos for possível, conhecer o país, e dar-nos a conhecer, perceber como o “Portugal real” reage à nossa música, e em função disso veremos!


Respostas: D'Alva
Fotografia: Luís Filipe Catarino




Entrevista feita por: Sofia Robert


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