domingo, 23 de novembro de 2014

Caelum’s Edge - Entrevista

A chuva e o trânsito na ponte fizeram-nos acreditar, a certa altura, que já não chegaríamos a tempo ao Grandma Studio.
O Grandma Studio foi criado pelos Caelum’s Edge para ser estúdio de ensaio do grupo. Fomos recebidos pela banda e pela manager Telma. O estúdio, de cor azul forte, era bastante amplo e tinha já os instrumentos a postos.
Pedro Correia (vocalista/guitarrista), Diogo Costa (guitarrista/teclista), Nuno Aparício (baixista) e Diogo Lopes (baterista) formaram os Caelum’s Edge, uma banda de Space Rock, no Barreiro em 2012. Ganharam a primeira edição do concurso “EDP Live Bands” e tocaram no palco NOS Clubbing do NOS Alive ’14. De momento encontram-se a gravar um álbum com a Sony Music Portugal.

Sentámo-nos no sofá e tivemos o privilégio de entrevistar a banda:

Qual é o significado deste nome?

Pedro – Acho que ainda estamos à procura do significado. (risos) Procurámos vários nomes na altura e queríamos algo relacionado com o espaço porque tinha a ver com o estilo de música que tocamos. Caelum significa “céu” em latim e Edge é “limite” em inglês, fica qualquer coisa como o “limite do céu”.

Como é que se conheceram e formaram os Caelum’s Edge?

Pedro – Eu tinha acabado um projecto recentemente e queria criar um novo. Fui à procura de músicos para tocar, através de amigos na área. A primeira pessoa que conheci foi o Diogo Lopes (baterista), conversámos e foram surgindo algumas ideias.
Começámos então o projecto e chamei dois amigos para tocarem connosco mas acabou por não resultar. Entretanto também conheci o Diogo (Costa) através de uma garagem de ensaios que eu tinha e que subalugava a outras bandas. O Diogo (guitarrista/teclista) tocava numa dessas bandas e acabei por ir ver um concerto deles e pensei que seria uma boa pessoa para juntar ao grupo. Chegámos a dar concertos apenas os três até mais tarde o Nuno (baixista), que já tocava comigo noutro projecto, se ter juntado.

Como foi por dois anos consecutivos actuar no NOS Alive, um festival que cada vez tem mais impacto nacional e internacional?

Pedro – Foi muito giro, foi uma experiência diferente. É sempre uma experiência, sendo num festival grande ou num espaço mais pequeno e é aí que aprendemos. Às vezes um público de 10 pessoas pode estar a sentir mais a música do que um público de 200 ou 500. Também foi muito bom toda a divulgação que houve, angariámos mais fãs, tínhamos o nosso nome no cartaz…

É clara a vossa inspiração dos U2 e dos 30 Seconds to Mars, quem mais vos inspira?

Pedro – Sim, são essas quatro bandas que estão escritas na nossa biografia (30 Seconds To Mars, Angels and Airwaves, Pink Floyd e U2) que se identificam mais com o nosso estilo de música. Cada um depois tem as suas influências pessoais e é isso que dá algum brilho, mas as bandas que temos em comum são mais essas quatro.


Por vezes fala-se de uma certa rivalidade entre cantar em português ou inglês, pensam que ao cantar em inglês chegam a mais pessoas?

Pedro – Sim e não só. Sim, porque a cantar em português, praticamente só a Mariza é que vai lá para fora e a Amália há uns anos atrás, o mercado restringe-se logo muito ao cantar em português. E depois, eu falo por mim, eu sei que é estranho e às vezes sou criticado por isso mas tenho mais facilidade em escrever uma letra em inglês do que em português, talvez porque a língua portuguesa até seja uma língua difícil. Não é que não consiga escrever em português porque já o fiz, é uma língua mais poética, mas o inglês para criar músicas torna-se um pouco mais fácil, é mais abrangente. Em português há muito mais vocabulário e cada palavra tem muito mais significado.

Depois do lançamento do vosso EP “New World” em 2012, encontram-se agora a trabalhar com a Sony Music Portugal no vosso primeiro álbum. Como tem corrido esta experiência?

Pedro – Está a correr bem, ainda estamos a produzir músicas e por isso ainda não fomos para o estúdio de gravação. Estamos a trabalhar muito, sempre a produzir todos os dias mas está a ser uma experiência muito boa.

Para quando podemos esperar o lançamento desse álbum?

Pedro – É difícil dizer. A ideia é ser lançado no início do ano que vem mas não temos ainda uma data específica.

Têm alguma história caricata que nos possam contar?

Pedro – Eu vou relatar uma em primeira mão que nem eles se aperceberam. Até eu só me apercebi há um mês atrás e esqueci-me de lhes contar. É uma curiosidade, no concerto do NOS Alive eu estive a cerca de um centímetro de atirar o teclado que o Diogo (Costa) toca para o chão em pleno concerto, logo no início. Vi isso por causa de um vídeo da SIC, entro a correr e a saltar no palco e quando salto a minha perna vai para o lado e se fizerem pause no vídeo vê-se a minha perna e o teclado quase colados!


Quais são os vossos planos para o futuro enquanto banda?

Pedro – Estávamos a pensar gravar um CD em Marte e ter uma piscina aqui nas traseiras do estúdio. (risos) Agora fora de brincadeiras, queremos não ter limites, queremos sonhar cada vez mais alto, ir a grandes festivais, ser uma banda muito conhecida e acima de tudo podermos viver da música sem problemas. É o sonho de todos, que a banda dê resultado e vá para a frente.

Têm concertos agendados para os próximos tempos?

Pedro – De momento não. É impossível, o processo de criação é tão intenso que mal temos tempo para respirar. Saímos das aulas ou do emprego e é só trabalhar na música. Temos de abdicar de muito para podermos fazer isto e é pena às vezes as pessoas não darem o devido valor ao trabalho que as bandas têm, aliás penso que acontece em todo o mundo das artes.

Como é que funciona o processo de composição?

Pedro – Criamos de muitas maneiras diferentes. Muitas vezes vimos para aqui e vai surgindo, cada um dá um bocadinho de si, outras vezes trago músicas de casa e mostro-lhes e depois parte-se daí. Ultimamente por causa do CD temos mudado um pouco o processo de criação para ser mais acústico e para a partir daí irmos criando mais coisas à volta. Depende também um bocado do espírito.

Como foi a experiência de participar e ganhar o concurso de bandas da EDP?

Pedro – Foi brutal!

Diogo Lopes – Já participámos em muitos concursos e nunca tínhamos participado num tão profissional, tão acessível em termos de informação quer para os músicos quer para o público e júri. Antes até do concurso começar, foram dados workshops para orientar as bandas e dar dicas para o futuro. E ficámos muito contentes de ter ganho, era o melhor prémio de todos os concursos em que já participámos.

Se pudessem partilhar o palco com um artista/banda, de qualquer nacionalidade e género musical, quem escolheriam?

Pedro – Tendo aquelas bandas como referência acho que seria um prazer abrir o concerto para qualquer uma delas. Abrir os concertos dos U2 ou dos 30 Seconds To Mars seria óptimo claro.


Uma banda que tem tanto de humor como tem de talento. Uma lufada de ar fresco no rock nacional, que com um som bastante internacional ainda vai dar certamente muito que falar. No final da entrevista tivemos a sorte de poder ver e ouvir ao vivo e em primeira mão alguns dos temas do álbum que se encontra em preparação. Do que pudemos ouvir, aconselho a não perderem a oportunidade de ouvir o álbum quando este for lançado.
E quanto a este novo formato de entrevista em estúdio e música ao vivo “só para mim”… acho que vou trocar os concertos pelos ensaios!




Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
Para mais fotografias: https://www.facebook.com/soumusica.pt

Sem comentários:

Enviar um comentário