domingo, 26 de outubro de 2014

Fábia Maia - Entrevista

Numa altura em que o Youtube transborda de vídeos de música e covers, e as televisões transmitem vários programas de talentos, é difícil ouvirmos alguém que realmente nos capte a atenção. Foi o que me aconteceu quando ouvi a Fábia Maia a cantar. O vídeo era uma cover da música “O Convite“ de Allen Halloween. A versão não podia ser mais diferente da original, o que Fábia fez foi uma desconstrução da música, criando a sua própria versão. A voz tão característica e áspera de Halloween é trocada por uma suavidade onde cada palavra é sentida de uma maneira que é impossível não tocar a quem ouve. Com uma voz que tem tanto de competente como tem de beleza, é acompanhada de uma melodia diferente da original na guitarra acústica. Ainda do mesmo artista, Fábia fez as suas versões de “O Meu Par” e “Drunfos”. Bezegol ou Ornatos Violeta são outros artistas dos quais também podemos ouvir versões desta cantora. 


Estivemos as duas à conversa… 

O hip hop não é o estilo mais óbvio para se fazerem covers acústicas, porquê esta escolha?

A razão pela qual enveredei pelo Hip Hop, não foi de todo pensada ou premeditada. Não o fiz pensando que mais ninguém o fazia, fiz sim porque precisava de o fazer. As músicas do Allen Halloween têm um significado mais que especial para mim, eu entendo o que ele quer dizer e o que a música dele me diz. Comecei com as faixas dele por causa da importância que lhe dou. Concluindo, foi como se tratasse de um "escape" à parte da minha vida pessoal. No entanto é de salientar a diferença entre a cultura Hip Hop em relação aos outros géneros musicais na minha perspectiva, sendo que para mim é mais fácil interpretar uma letra mais aprofundada, trabalhada e vivida do que uma simples letra. E isso sim, para mim é a beleza do Hip Hop, porque me transmite uma verdade mais pura através das palavras que rimam.

Ouves e cantas também outros estilos musicais?

Considero-me uma "ouvinte universal". Dificilmente digo que não gosto de Música, cada uma à sua maneira. A verdade é que tanto ouço um álbum inteiro de Lauryn Hill e no momento a seguir estou a vibrar com uma boa Kizombada do Anselmo Ralph. O mesmo se passa quando pego na guitarra, não me foco só num determinado sector quando há tanto para explorar. Sou uma pessoa extremamente temperamental, por isso tudo depende do meu humor.

Tens originais?

Tenho uns rascunhos daquilo que poderá vir a ser. Nunca pensei que a minha vida fosse dar esta volta, num sentido tão bom. Tenho algumas coisas que têm que ser trabalhadas, mas sei no entanto aquilo que realmente quero fazer com o meu nome. Já estou a trabalhar em conjunto com um produtor alemão para desenvolver o meu projecto. Com os pés no chão, tudo a seu tempo...

O que achas do mundo do hip hop nacional actualmente?

Sinceramente, acredito que o Hip Hop nacional está a sofrer uma mudança gradual. Temos a velha-guarda de sempre, que ainda hoje nos ensina o caminho; e uma nova onda de artistas mais "americanizados", estes que nos trazem sons em Português que normalmente não costumávamos ouvir, com uma lírica mais genérica e que atrai por sua vez mais ouvintes. Acho que o nosso Hip Hop aos poucos se torna mais ocidental. Não digo que seja mau, só não acho certo que esta cultura se torne banal. O facto de poder se tornar mais comercial tanto pode ser bom como mau, sendo que no primeiro caso chegará a mais gente, no segundo poderá vir a ser uma fonte de "caca que papamos na Tv". Esta é a parte especial do Hip Hop, perceber aquilo que realmente faz parte da Cultura e aquilo que se denomina ou que se acha que serve porque ouvimos alguém dizer por aí. 

Tens tido feedback do teu trabalho, nomeadamente de algum dos artistas de quem fizeste versões?

Esta é a melhor parte de todas, quando somos recompensados com o carinho daqueles que nós mais admiramos. Não posso dizer que o feedback que tive do meu trabalho foi mau, é impossível dizer uma coisa dessas. Como disse, nunca pensei que alguma vez umas covers pudessem ter de alguma forma todo este efeito. Posso dizer que foi como acordar e reparar que estava tudo diferente e essa sensação foi boa. O Halloween congratulou-me através do Facebook e trocamos algumas mensagens. Lembro-me dele me dizer que tinha ficado sem palavras e acho que nessa noite nem dormi muito bem com a felicidade. Espero um dia poder juntar o meu mundo e o dele num mesmo momento, isto porque a realidade dele é totalmente diferente da minha e muitas pessoas não conseguem entendê-lo, mas sei que através de mim o conseguiram. O Valete foi dos primeiros a dar-me os parabéns, e tratou-me por irmã, algo que eu nunca pensei que fosse acontecer, mas aconteceu e vamos falando até porque sei que ele está "aqui" para mim. O Malabá Da Gun também foi um dos que tive o previlégio de conhecer pessoalmente e tê-lo ao meu lado a ouvir-me cantar. Os elogios dele também me encheram o coração e estou confiante que vamos trabalhar juntos daqui para a frente, se Deus quiser. Muitos mais me procuraram para me dizerem palavras que nunca mais vou esquecer e com alguns deles sei que criei uma amizade para a vida.

Quem são as tuas maiores influências?

Escusado será dizer que Allen Halloween e Valete são sem margem para dúvida as minhas referências nacionais, e posto isto tenho que admitir que sou completamente viciada em Drake e The Weeknd. Acho que respiro a música deles. 

Se pudesses cantar com um artista de qualquer género musical, nacional ou internacional, quem escolherias?

A nível nacional são muitos nomes, nomeadamente: Allen Halloween, Valete, Capicua, Denise, Bezegol e para terminar em grande ter a Mariza a cantar a meu lado. Internacionalmente, sem dúvida com o Drake, Kendrick Lamar, The Weeknd, Wiz Khalifa e por fim um acompanhamento do piano e da voz da Alicia Keys. Todos estes artistas enchem o meu coração de coisas boas.


Para conhecerem o trabalho da Fábia visitem:

https://www.facebook.com/fabia.maia.5

https://www.youtube.com/channel/UCXd2a_b-2Wxxs42CvVYvkNA




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