segunda-feira, 31 de março de 2014

Rui Veloso Trio - Coliseu dos Recreios

As luzes apagam-se. Estás nervoso pá?. Pensamos ups, os microfones estão ligados e eles não sabem. Até que ouvimos Agora é aquela parte em que se costuma ouvir uma voz a dizer que não se pode fotografar ou filmar. Aqui pode-se fotografar e filmar o concerto todo. O público irrompe numa grande salva de palmas e risos, ao mesmo tempo que as luzes acendem.
Rui Veloso começa assim uma noite mágica e recheada de sentido de humor.

Rui Veloso, Alexandre Manaia e Berg levantam-se do sofá instalado no fundo do palco e sentam-se nas três cadeiras frontais rodeadas de várias guitarras.
O concerto começa com músicas pouco conhecidas do grande público e que poucas vezes entram nas setlists dos concertos deste mestre de grandes sucessos.


 As regras da sensatez foi um momento inspirador, frases como Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz, por muito que o coração diga, não faças o que ele diz ou Nem Deus tem o dom de escolher quem vai ser feliz da música Canção de Alterne conseguem-me emocionar. É esse o poder das músicas de Rui Veloso, têm letras sublimes que através do sentido de humor ou da subtileza das mais românticas, nos despertam emoções fortes. Não esquecendo todas aquelas que são verdadeiras odes aos locais mais bonitos do nosso país.

Parece que estamos numa sala diz Rui Veloso enquanto confessa que o sofá lhe pertence e a mesa foi comprada no OLX. Não fossem as cadeiras de madeira do balcão serem tão desconfortáveis e eu acreditaria mesmo que estava na sala de minha casa.

Depois de músicas onde estranhamente não ouvíamos quase ninguém a cantar, neste Coliseu dos Recreios praticamente lotado, tivemos direito aos clássicos como Chico Fininho, uma versão um pouco mais acelerada de Nunca me esqueci de ti, Primeiro Beijo, Cavaleiro Andante e Porto Côvo.

Fomos brindados com solos de harmónica de Berg e Rui Veloso e também com o som divinal da slide guitar que Berg usou em três músicas.
Além de vozes brilhantes, estes três músicos são excepcionais intérpretes e fizeram-se acompanhar de técnicos de som que nos proporcionaram uma acústica perfeita naquela que eu considero a melhor sala de espéctaculos de Lisboa.
Pudemos também ouvir alguns Blues à moda do Porto que me fizeram ter vontade de parar o tempo.

Rui Veloso deixou tempo também para ir encontrando na plateia os filhos, amigos e colegas com os quais escreveu algumas das canções que tocou e para encher a sala de boa disposição com as suas histórias engraçadas e bom humor: Uma vez, antes de um concerto, uma senhora estava-me a perguntar se eu ia cantar várias músicas e perguntou se eu ia cantar aquela em que dizia que ia ao gás. Eu fiquei a pensar se tinha alguma música com a palavra gás ou bilha, afinal era a música O prometido é devido quando digo Disseste que se eu fosse audaz””. Seguiu-se uma gargalhada geral que se repetiu quando chegou essa parte da música.

Num concerto que durou quase três horas houve tempo para convidados: Orlanda e Anastacia que fizeram coros na segunda metade do concerto e os Adiafa, grupo de cantares alentejanos composto por duas gerações de pais e filhos que nos vieram cantar músicas como Feira de Castro a qual se repetiu no final como despedida.
No que ameaçava ser o fim do concerto ouvia-se alguém do público gritar pela quarta vez Jura.
Entre grande entusiasmo e ovações de pé foram vários os encores, afinal não podíamos ir embora sem ouvir Jura, Paixão ou Não há estrelas no céu.
Saímos de coração cheio e alma inspirada com tão boas vozes e intérpretes.

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