segunda-feira, 3 de julho de 2017

Dois dias no MUSA Cascais

O reggae tem encontro marcado todos os anos em frente à praia de Carcavelos, em Cascais.
A tarde de sexta-feira estava solarenga e ventosa, como aliás tem sido todos os anos. O palco principal do MUSA abriu com a banda Like the man said, nome que me explicaram ter surgido da atribuição a várias citações (de Bob Marley, Peter Tosh, Burning Spear, etc.) aquando das reuniões deste grupo português.
A banda, que trocou a língua inglesa pela língua portuguesa nas suas canções com o objectivo de tornar a ligação mais directa com os fãs, está em fase de divulgação de novos temas dos dois próximos álbuns, “O Bravo Relógio do Não Tempo” e “1973”, criados com o intuito de “trazer de volta o roots reggae, que é o que gostamos”.


O segundo artista da tarde foi Andread Blessed, o cantautor brasileiro, residente há 14 anos em Portugal. “Eu comecei a entrar no mercado do reggae a convite do meu amigo Janelo da Costa dos Kussondulola, comecei como guitarrista dele e a partir daí fui criando gosto, comecei a compor as minhas próprias canções e então surgiu este projecto, Andread Blessed”, explica no final do concerto. O seu próximo EP, com lançamento previsto para Outubro deste ano, fala de “amor incondicional. Amor de pai para filho, de mãe para filho, de irmão para irmão. Não mais guerra”.


Seguiu-se o francês Naâman no Palco MUSA CASCAIS, com quem falei no dia seguinte. O artista mostrou-se surpreso com a aderência do público e disse esperar voltar brevemente ao nosso país. Um dos momentos altos desta forte actuação foi o single “House of Love”. Quanto ao novo álbum, “Beyond”, conta que “irá sair no dia 6 de Outubro. Tem reggae, mas também tem algo mais, outro estilo. Tentei pôr o máximo de luz que consegui, o máximo de amor, assim como o meu beatmaker e os meus músicos também... Acho que é um bom álbum”.


Fantan Mojah foi o próximo a subir ao palco. Em fase de promoção do álbum “Soul Rasta”, pôde-se ouvir temas como “Jah Give Us Life”, “Rasta Got Soul” ou “Cool And Irie”. Sobre se a música pode curar o mundo? “A música reggae já está a curar o mundo. É a única música do mundo que junta as pessoas com vibrações positivas. As pessoas têm de ouvir as letras, não o ritmo”, explica após a actuação.


Ponto de Equilíbrio era a banda seguinte no palco principal do MUSA, mas estivemos um pouco à conversa ainda antes do concerto. A banda que partilha o mesmo número de anos de vida que este festival, responde quando questionada sobre a importância de fundir géneros musicais, facto que se pode constatar no último álbum: “uma característica do reggae é que ele é uma música universal. Até porque o reggae influenciou o rock, o punk rock, mpb (música popular brasileira) enfim, no mundo todo, todas as músicas começaram a incorporar o reggae como um ingrediente na sua receita. Então o reggae dialogar com outras vertentes é natural”. E poderá o reggae funcionar como arma política? “O reggae sempre foi uma arma de educação, de consciencialização e isso o reggae nunca pode deixar de ser porque se deixar de ser, já não é reggae. Acreditamos que essa é a principal característica deste género musical, ser uma ferramenta de transformação social, política e espiritual”, respondem.
A banda presenteou o público português com alguns dos seus maiores sucessos partilhando a mesma língua e conseguindo assim uma ligação mais forte que o artista anterior.


O cabeça de cartaz da noite foi Protoje. O artista jamaicano, que comparou o público português ao público jamaicano, trouxe muita energia, por vezes não acompanhada pela plateia, com destaque para os temas “Who Knows” e “Rasta Love”, ambos gravados em colaboração (Chronixx e Ky-Mani Marley, respectivamente). Houve ainda tempo para trazer uma fusão de grunge e reggae com “Smells Like Teen Spirit” dos Nirvana!
Quando questionado sobre o impacto de viajar pelo mundo na sua música, responde-me: “Tem um grande impacto, cada sítio que vais apanhas novas vibrações, novas experiências e percebes que, independentemente de onde vais, toda a gente está conectada”.


O segundo dia do MUSA, ainda mais ventoso que o primeiro, começou com a notícia do cancelamento do concerto de Horace Andy. Por motivos alheios à organização e com a proximidade do início dos concertos, não houve substituição, tendo havido alguns ajustes de horários e a promessa de que a banda The Skatalites iria acrescentar um tributo ao Studio One (mítico estúdio na Jamaica) à sua performance.

A abertura do Palco MUSA CASCAIS ficou a cargo do grupo Kingdom Stage. À semelhança de Andread Blessed, esta banda tem nacionalidade brasileira, mas reside no nosso país. O grupo disse ter gostado muito de actuar neste festival e que planeiam ficar pelo menos até ao final do ano por terras lusitanas.


Com um pouco mais de público presente, chegaram os Rubera Roots Band. A banda conta com elementos pertencentes a outros projectos musicais e referiu, numa conversa pós-concerto, a importância do público jovem da plateia: “É bom ver malta nova com atenção ao reggae, o reggae traz uma mensagem social também. É desde pequenos que as nossas ideias se formam e é bom poder ter um contacto directo com malta mais nova que daqui a uns anos vai poder implementar as visões deles socialmente”.


Seguiam-se os salvadores da noite, o mítico e maturo (53 anos de carreira) grupo The Skatalites cheios de groove e ska directamente da sua origem. Bem animados após a actuação, responderam quando lhes perguntei se a música podia falar mesmo sem palavras: “As notas são letras, a melodia é letra, a linha do baixo, ... É uma linguagem universal que junta todas as pessoas. A primeira vez que fomos à Argentina, a Buenos Aires, gravámos o concerto e as pessoas cantavam o instrumental tão alto que estavam a ‘afogar’ os instrumentos na gravação, por isso tivemos de baixar o som da audiência na mixagem para podermos ouvir os sopros”.


O penúltimo artista do palco principal foi Kabaka Pyramid que trouxe o seu reggae cheio de mensagem e um pouco de hip hop. Ouvimos vários dos seus sucessos com destaque para “No Capitalist”, “Worldwide Love”, “Warrior” e uma versão de “Welcome to Jamrock” de Damian Marley. Mas o momento alto terá sido muito provavelmente a ‘battle’ entre Kabaka e um membro da banda onde cada um vestiu uma camisola de futebol (Sporting e Benfica, que mais poderia ser?).
Após o concerto, e visivelmente entusiasmado com a recepção do público, contou quando lhe perguntei sobre a importância da mensagem nas suas letras: “É tudo sobre a mensagem, a minha música é só sobre mensagem. Para mim é importante que as pessoas percebam a mensagem e é por isso que às vezes quando falo, tento explicar o que digo nas músicas, para que as pessoas aprendam as letras e interiorizem”. Será essa a razão da fusão com o hip hop? “Sim, claro. São letras positivas. Vejo-me como um letrista e penso ser mais difícil e desafiador ser-se positivo”, responde.


O último artista da noite foi Gentleman, um nome já bem conhecido do público português, que infelizmente não concedeu entrevista.
Com uma entrega a que já nos habituou, desfilou os seus grandes hits, juntamente com alguns temas mais recentes, mas não esquecendo “Superior”, “Dem Gone” ou “Different Places”; sendo que um dos momentos mais bonitos foi a comunhão banda/público numa interpretação de “Redemption Song”, de Bob Marley, com toda a plateia com as mãos ao alto fazendo o sinal da paz.


Mais um ano de muito boa música, união e amor.



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
Para mais fotografias: https://www.facebook.com/soumusica.pt

Instagram: @soumusicapt





*Queria deixar uma palavra de apreço à organização, sobretudo à Inês Pimenta que tão bem trata a imprensa e que permitiu todas estas entrevistas, e a todos os artistas que actuaram na Dub Arena e na Bass Station, e a que, infelizmente, não consegui fazer a devida cobertura.

domingo, 25 de junho de 2017

Vencedores - Passatempo MUSA Cascais

E os dois vencedores são: Beatriz Espada e Manuel Pereira! Ganharam um passe cada para os dois dias do festival MUSA Cascais.

Os dois vencedores têm 24h para entrar em contacto, via mensagem privada, dando o nome completo e número do Cartão do Cidadão:

https://www.facebook.com/soumusicapt

Obrigada.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Passatempo - Dois passes Festival MUSA Cascais

PASSATEMPO TERMINADO!

O SouMúsica.pt tem para oferecer dois passes para o festival MUSA Cascais, o melhor festival de reggae em Portugal! *

Para te habilitares a ganhar um dos dois passes só tens de:

1 - Gostar da nossa página: https://www.facebook.com/soumusica.pt

2 - Partilhar de forma pública a publicação deste passatempo: https://www.facebook.com/soumusica.pt/posts/680811398777134

3 - Escrever um comentário na publicação identificando cinco amigos.

As três regras são obrigatórias.


O passatempo termina no dia 25 de Junho às 17h00. Os dois vencedores serão escolhidos de forma aleatória, através da plataforma Random.org, e serão anunciados às 18h00 do mesmo dia.

Os vencedores terão depois 24h para entrar em contacto connosco, via mensagem privada, fornecendo o seu nome completo e número de Cartão do Cidadão.

Boa sorte!


*Cada passe é constituído por dois bilhetes diários dando entrada a cada vencedor nos dois dias do festival. Não inclui campismo.

ESTAMOS DE VOLTA!


Estamos de volta e trazemos surpresas!

Mas antes disso aqui fica o nosso pedido de desculpa por tamanha ausência.

O que tem continuado a bombar são as páginas Facebook e Instagram do SouMúsica.pt. Ainda não nos seguem?


Instagram: @soumusicapt


Surpresa daqui a pouco ;) 

domingo, 7 de agosto de 2016

Sia - 6/8/2016

Tenho de vos confessar que este post não era para existir, mas o que presenciei ontem à noite foi bom demais para guardar só para mim.
Tudo começou com uma viagem de Cascais à Zambujeira do Mar. Destino: MEO Sudoeste. Objectivo: concerto da Sia. 


Começando pelo facto de não ser propriamente fã do género Pop, a artista Sia tem, à partida, tudo para eu não gostar: não se apresenta com banda ou músicos em palco, não comunica com o público e dá uma grande importância (diria mesmo toda) à componente visual, correndo o risco de tanto conceptualismo se tornar pretensioso. O meu tipo é mais a banda de rock pura, nada de acessórios ou trocas de roupa e tudo concentrado na música.
Mas Sia tem algo que me atrai sempre enquanto fã de boa música: uma voz de arrepiar! Não é só cantar bem, é ter o timbre certo e original, é ter presença e fazer-se notar mesmo quando tudo faz para não ser o centro das atenções.

Antes do espectáculo perguntavam-me "Achas que a Maddie Ziegler (jovem dançarina que protagoniza todos os videoclips mais recentes da cantora) vem?", seguríssima de que Maddie estava em tournée a solo e não querendo dar expectativas a ninguém afirmei logo que não, dizendo que só deveriam vir outros dançarinos mais desconhecidos do grande público. 

Após uma longa espera, enquanto uma vasta equipa técnica montava o palco, as luzes acenderam e um pano preto caiu. Vemos Sia com a sua famosa peruca metade preta, metade loira platinada e um laço branco, com aquilo que aparentava ser um longo e trabalhado vestido da mesma cor. O vestido começa a mover-se e percebemos que são vários bailarinos e não um vestido. O tema era a poderosa "Alive", e enquanto as "várias partes do vestido" se afastavam do centro surge Maddie Zigler. Escusado será dizer que por momentos o meu coração parou. Sou fã do trabalho desta jovem brilhante, bem como de quem estiver por detrás do trabalho de coreografia. 

Com Sia a deslocar-se depois para o lado esquerdo do palco e sempre sem luz, contámos com um espectáculo inesquecível. Das luzes à cenografia, da dança à representação, vimos um cruzar de diferentes artes que resultaram em algo inexplicável. Algumas recriações ao vivo de coreografias dos videoclips, como foi no caso de "Elastic Heart", "Chandelier" ou "Cheap Thrills" e encenações inéditas para acompanhar temas como "Diamonds" (composto pela artista para Rihanna) fizeram brilhar ainda mais a voz da cantora e provaram que num concerto não é preciso afinal interagir muito com o público.

Além de dançarinos tivemos ainda o privilégio de receber artistas da sétima arte, Kristen Wiig e Paul Dano (actor que considero um dos melhores da nova geração).
Uma hora de deslumbramento que fez compensar, e muito, cada quilómetro que percorri. Obrigada Sia.



Texto: Sofia Robert


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terça-feira, 5 de julho de 2016

MUSA - 2/7/2016

O segundo dia do festival MUSA começou com uma surpresa. Ainda em casa, e depois de ver uma alteração nos horários no facebook do festival, reparei que a organização publicou um concerto-surpresa, Mishka iria abrir o palco principal.

Após uma ida rápida à bomba de gasolina e debate sobre o caminho mais curto para o recinto, chegámos a tempo para ouvir o cantor. Apenas acompanhado da sua guitarra, Mishka deliciou-nos com a sua voz suave e a sua música (mais surf music que reggae), um estilo que combina na perfeição com um final de tarde em frente à praia. Conseguimos ainda fazer uma entrevista surpresa. Quando questionado sobre “como foi parar ali” Mishka respondeu que uma vez que um dos artistas iria chegar mais tarde e tiveram de avançar todos os concertos, sobrou uma hora para mais uma actuação. Partilhando o mesmo booking agent do festival e estando em Portugal para outros concertos, foi fácil de conjugar e proporcionar esta surpresa. Mishka disse ainda ter assistido a algumas das actuações da noite anterior e gostar muito deste festival de boas vibrações. O cantor declarou-se apaixonado pelo nosso país e quanto à mensagem da sua música, respondeu-nos: One Love.


Depois de um início tão chill, as boas vibrações e o roots reggae continuaram com os Da Galangs. Banda proveniente da zona e com elementos pertencentes a outros projectos, tiveram amor e boa música para dar, bem como a presença de alguns dos seus filhos em palco. Depois do concerto contaram-nos que a música, mais em particular o reggae, os uniu há três anos (não contando com os outros projectos em que participam) como forma de convívio. Exploraram-se áreas que cada um não dominava tanto, como o vocalista Freddy Locks que aqui toca bateria ou Manel, o técnico de som que aqui é teclista, e o género do roots reggae que não é tão explorado em Portugal. A banda não tem nenhuma pretensão comercial e portanto foi uma grande alegria e ansiedade até ao dia para tocar neste festival, o único festival de reggae em Portugal e que conta com nomes tão sonantes do género.


Seguiu-se Bdjoy com incidências no reggae e nas raízes africanas, quer pela roupa da Royal Skuare quer pela dança das duas bailarinas. Mas não foi só de reggae que se fez este concerto tendo tido um convidado muito especial vindo do mundo do hip hop, SP Deville. Em conversa pós-concerto Bdjoy e a Zimbora Band contaram-nos ter gostado muito deste concerto e reconheceram a importância do festival MUSA que segundo o próprio “ainda não está sell out” (risos).


Para terminar em grande o alinhamento nacional do palco principal, foram os Chapa Dux que subiram ao palco ao cair da noite. Uma dinâmica com o público incrível e uma qualidade musical de se notar fazem dos Chapa Dux uma banda a ter debaixo de olho, creio eu, por muito tempo. Trouxeram também um convidado bem acarinhado pelo público, Papillon, e deixaram a sua marca no MUSA 2016. Depois do concerto falámos com Di, o vocalista, que voltou a afirmar o que tinha dito em palco “Estamos vivos, estamos juntos. O reggae está vivo.” Partilhou ainda o seu parecer em relação à importância do festival, que mantém a sua chama desde o início e que é o que melhor comunica com o seu público. Sobre os planos para o futuro, apesar de terem lançado agora o álbum “One Love” (o qual ofereceram algumas cópias que lançaram para o público durante o concerto), estão já a trabalhar num novo álbum e estão cada vez mais fortes.


Assassin aka Agent Sasco foi o primeiro nome jamaicano da noite. Com “Theory of Reggaetivity” lançado há pouco tempo, trouxe-nos a sua voz rouca e poderosa (para mim muito parecida à de Buju Banton) bem como grande energia. Pudemos ouvir, claro, o tema homónimo, bem como outros deste trabalho tais como “Africa”. No final do concerto tivemos o privilégio de fazer uma entrevista ao artista que disse estar pela primeira vez no nosso país, apesar de somente há seis horas, e se sentiu em casa, ajudado pelo sol e calor. Sobre a noite, disse parecer quase um furacão, o que para alguém que está habituado a climas tropicais diz muito sobre o nosso vento! Disse ainda que gostou muito do concerto e se sente sempre muito contente por ver pessoas a apreciar o reggae, que para quem é de Kingston é algo tão natural e com o qual se cresce. Assassin terminou declarando que ultimamente se sente mais realizado com os temas em que as pessoas lhe dizem que lhes dão força ou esperança, não descurando obviamente os temas de diversão e entretenimento.


Devido à troca de horários, os Dub Inc actuaram em penúltimo lugar. Este duo francês é já bem querido do nosso público e foi talvez o que mais entusiasmo recebeu neste segundo e último dia de festival. Com um álbum ao vivo relativamente recente e um novo que irá ver o seu lançamento em Setembro deste ano, animaram o público com temas bem conhecidos (e cantados, apesar da maioria ser em francês) mas deu também para ter uma pequena ideia do que aí vem no final do Verão. “Better Run”, “Dos à dos” ou “Rude Boy” foram recebidas com grande entusiasmo.


Para o final ficou Max Romeo e o seu registo mais calmo de roots reggae. Esta lenda viva do reggae, com 68 anos, continua com uma voz e uma energia (às 3h da manhã!) de fazer inveja. São mais de cinquenta anos de carreira e uma lista infindável de sucessos. Não faltaram “One Step Forward”, “War in a Babylon” e “Chase the Devil”.


Mais um óptimo ano de MUSA onde mais uma vez agradecemos à organização a forma como nos receberam. Até para o ano!

Vídeo do segundo dia do festival: https://www.youtube.com/watch?v=WV_rceLRj6k



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
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segunda-feira, 4 de julho de 2016

MUSA - 1/7/2016

Acordei e ouvi o vento forte lá fora. Sim, chegou sem dúvida o primeiro dia do MUSA Cascais. Ano após ano há algo que não muda, o vento. Cheguei à conclusão que o S. Pedro não gosta de reggae. Não faz mal, nós gostamos.

O primeiro dia oficial do festival (o primeiro dia mesmo tinha sido no dia anterior com a festa no campismo) começou ao som dos Terra Livre no palco principal. Com nove elementos em palco, esta banda de reggae/música do mundo encantou, ligou-nos às nossas raízes e transmitiu a sua mensagem na nossa poética língua. Em conversa após o concerto, os Terra Livre disseram-nos ir beber influências das coisas simples do dia-a-dia não pensando tanto num género musical específico mas sim na mensagem a transmitir. Quanto a essa mensagem é uma vontade de se ligarem à Terra Mãe e de não a explorar da forma como tem acontecido. Disseram ainda estar em total sintonia com o festival MUSA, festival que vai de encontro com aquilo em que acreditam: vibrações positivas e uma preocupação ambiental.


Marcus Da Lion foi o nome que se seguiu. Com uma voz rouca e uma intensidade e entrega de se notar, agarrou o público que o acompanhou num óptimo concerto de reggae provando que o bom reggae também pode ser português.


Ainda no panorama do reggae nacional, os já tão aclamados Supa Squad entraram em palco trazendo o de que melhor se faz no dancehall do nosso país. Acompanhados de bailarinas e com convidados de luxo, Xibata e Virgul, puseram todo o público a dançar e a vibrar com as suas vozes poderosas.



Jesse Royal, primeiro nome jamaicano da noite, seguiu-se apresentando-se a uma plateia já bastante composta. O cantor de 27 anos apresentou o seu mais recente álbum e entregou-se a temas como “Modern Day Judas”, “Finally” ou “Gimme Likkle”. Um óptimo começo de noite com uma óptima voz.


Tanya Stephens foi o nome seguinte, e a única mulher no cartaz deste ano. Já há muitos anos que esperava por um concerto desta “Senhora” do reggae. A expectativa era, portanto, muito elevada e conseguiu ser superada. Tanya Stephens tem uma voz muito boa e um charme bem particular. Emocionou-se quando um membro da produção apareceu em palco à 00h para lhe cantarmos os parabéns em conjunto, e presenteou-nos com clássicos como “It’s a Pitty” ou “These Streets”. Tivemos o privilégio de falar com a cantora no final do concerto e nos deliciarmos com a sua simpatia.

Quando questionada sobre a mensagem da sua música: “Amor. Amor, amor e amor. Amem com força, não interessa se saem magoados, irão amar de novo. É a única forma de consertarmos o mundo. Não vamos lá mandando as pessoas serem boas, mas se cada um de nós amar o próximo e sentir que somos todos iguais poderemos resolver tudo. Não iremos fazer mal a quem gostamos, não queremos que quem gostamos passe fome, não os iremos matar. Pode parecer irrealista mas é a verdade, temos de começar a nos preocupar mais e a cuidar dos outros.” A artista disse ainda, em seu nome e em nome da banda, que adoraram o festival e o seu público e que se divertiram bastante. A surpresa de cantarmos os parabéns foi algo que nunca irá esquecer e que se sentiu muito bem quando o público cantou alguns dos temas: “É bom termos reconhecimento. Não interessa se somos cantores, secretárias, professores, sentimos a energia de todos e eu senti a do público e adorei.”


Costumam dizer que o melhor fica para o fim e o cabeça de cartaz do primeiro dia é provavelmente o nome mais acarinhado do reggae em Portugal, Alborosie. Com algum atraso e manifestações de descontentamento por parte do público, “Puppa Albo” entrou bem depois da hora mas deu um concerto, como sempre, incrível e foi rapidamente perdoado. Alborosie há muito que dispensa apresentações e com tantos hit’s imagino que não deva ser fácil criar a setlist dos seus concertos. Não há uma música que o público não conheça e não cante com o artista. Com uma presença em palco que poucos artistas conseguem, tivemos direito aos temas mais conhecidos da sua carreira bem como os do novo trabalho “Freedom & Fyah”. Não faltaram, claro está, “Kingston Town”, “Herbalist”, “No Cocaine” ou a mais recente “Poser”. Um final de noite memorável.


Vídeo do primeiro dia do festival: https://www.youtube.com/watch?v=wJivcyqDvFQ 



Texto: Sofia Robert

Fotografias: Luís Carvalho
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